quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Salmos 46 – Deus é. Deus está. Deus faz

A maioria dos leitores das Escrituras conhece o Salmo 46. Quem nunca leu este belo Salmo? Convido você, prezado leitor [a] a mergulhar neste Salmo comigo, e ver a profundidade que encontramos nele. Um dos “segredos” de uma boa exegese de um texto, é conhecer o sentido histórico em que o texto foi escrito. Quando sabemos o que se passava quando o texto foi escrito, falamos com muito mais propriedade e segurança, trazendo luz e entendimento aos ouvintes.

Há um consenso entre os estudiosos que este salmo serviu de inspiração para o hino “Castelo Forte é Nosso Deus”, composto por Martinho Lutero. Há uma possibilidade muito grande que o contexto histórico em que foi escrito este salmo, seja a ocasião em que Deus livrou Jerusalém dos assírios no tempo do rei Ezequias (II Rs 18-19; II Cr 32; Is 36-37). Será bastante proveitoso ler estes textos para um melhor entendimento deste salmo.

O rei Ezequias era poeta, e é possível que tenha escrito não apenas este salmo, mas também o 47 e o 48, provavelmente no mesmo contexto histórico, onde a vitória do Senhor é celebrada sobre o inimigo.

1) Deus É nossa fortaleza – (Sl 46.1-3) a palavra traduzida por “refúgio”, no verso 1, significa “um abrigo, uma rocha de refúgio”, enquanto essa mesma palavra, nos versos 7 e 11, quer dizer “um baluarte, uma torre alta, uma fortaleza”. É isso que Deus estava dizendo para o povo: “Quando o inimigo vier, Eu serei o vosso abrigo, serei uma rocha, é como se o povo, estivesse escondido dentro da rocha, num lugar inatingível!” Os dois termos declaram que Deus é um refúgio confiável para seu povo quando tudo ao seu redor parece estar desmoronado (Sl 61.3; 62.7,8; 142.5). Mas Ele não nos protege a fim de nos mimar. Não. Antes, abriga-nos a fim de nos fortalecer para que voltemos à vida com suas responsabilidades e perigos.

A palavra “tribulações” refere-se a pessoas em lugares apertados, encurraladas num canto e incapazes de sair dessa situação. Veja que estratégia maligna dos exércitos assírios, eles queriam encurralar o povo de Deus, deixarem sem recursos para uma saída. Talvez, você leitor [a] se encontra nessa mesma situação, em que o inimigo quer te encurralar, lhe deixar à mercê de seus ataques. Mas a Palavra de Deus para estas situações é: “Não temas!”. Quando os oficiais assírios ameaçaram Jerusalém, Isaías disse ao rei: “Não temas por causa das palavras que ouviste” (II Rs 19.6). Esta é a palavra de Deus para você. Talvez você não veja o livramento, tudo parece perdido, o inimigo se agiganta, mas ouça a Palavra de Deus – “não temas!” A terra pode mudar, as montanhas podem ser arremessadas violentamente no mar, podem vir terremotos e maremotos, mas todas as coisas estão sob o controle de nosso Deus. Ele é nossa fortaleza e nosso refúgio em meio às incertezas da vida.


2) Deus Está no meio – (Sl 46.4-7)
A cena seguinte mostra Jerusalém, onde o povo encontrava-se sitiado pelo exército assírio. A água era um bem precioso na Palestina, especialmente em Jerusalém, uma das poucas cidades da Antiguidade não construída à beira de um rio. Ezequias havia usado de sabedoria e construído um sistema subterrâneo de abastecimento que ligava os mananciais de Giom, no vale de Cedrom, ao tanque de Siloé, dentro da cidade, de modo que havia água disponível (II Rs 20.20; II Cr 32.30). Que fantástico! Ezequias estava querendo dizer: “Ainda que ele [inimigo] corte nosso suprimento de água, e aí, poderia ser caracterizada a derrota do povo de Jerusalém, Ezequias diz:” Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo”. O poeta sabia que Deus era o seu rio, aquele que supre a água da vida (Sl 36.8; 65.9; 87.7 e Jo 7.37-39). No tempo do rei Acaz, Isaías comparou uma invasão dos assírios a um rio transbordante, mas lembrou o povo que seu Deus era como um rio tranqüilo (Siloé) que lhes traria a paz (Is 8.1-10).

O verso 5 diz: “Deus está no meio dela” – ainda que eles estivessem encurralados, sem saída, o Deus Eterno está no meio dela. Ou seja, ninguém os derrotaria, pois Deus era aquele que comandava tudo!

Sem dúvida, Jerusalém era uma cidade santa, separada por Deus, e que abrigava seu santuário, mas isso não era garantia alguma de vitória (Jr 7.1-8). A fim de que o Senhor os ouvisse e salvasse, o rei e o povo precisavam voltar-se para o Senhor com uma atitude de contrição e fé – foi o que fizeram. Deus socorreu Jerusalém quando o dia amanheceu (“desde antemanhã”; vs 5), pois o Anjo do Senhor matou 185 mil soldados assírios e mandou Senaqueribe de volta para casa (Is 37.36).


3) Deus faz cessar a guerra (Sl 46.8-11) a terceira cena mostra os campos ao redor de Jerusalém, em que os soldados assírios estão mortos, suas armas e equipamentos espalhados e quebrados. Não havia ocorrido batalha alguma, mas o Anjo do Senhor deixara esses vestígios, a fim de estimular a fé do povo de Deus.

“Vinde, contemplai as obras do Senhor, que assolações efetuou na terra” (vs 8). O Senhor derrotou e desarmou seus inimigos e destruiu suas armas, de modo que não podiam mais atacar.

“Aquietai-vos” quer dizer, literalmente: “Não mexam em nada! Descansem!”. Nós gostamos de “mexer em tudo” e de dirigir nossa vida a nossa maneira, mas Deus é Deus, enquanto nós não passamos de servos do Senhor. Pelo fato de Ezequias e de seus líderes terem permitido que Deus fosse Deus, Ele os livrou de seus inimigos. Foi assim que o rei Ezequias orou: “Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o Senhor Deus” (II Rs 19.19).

O Senhor chama a si mesmo de “Deus de Jacó”, e lembramos como Jacó meteu-se em apuros em várias ocasiões por tentar intervir nas circunstâncias e fazer o papel de Deus. Há um momento certo para obedecer a Deus e agir, mas até que chegue essa hora, devemos deixar Ele trabalhar livremente, a seu tempo e a seu modo. Em outras palavras, deixe Deus ser Deus em sua vida.



Nele, que É , que Está, e que Faz tudo para a glória Dele



Pr Marcello de Oliveira - davarelohim.com.br



Bibliografia: Wiersbe, Warren. Comentário Bíblico. Geografia Editora 2006

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Viver em unidade: Uma questão de necessidade. (Salmo 133)

Dado o cenário atual, eu me faço à seguinte pergunta: É possível haver unidade na igreja? A minha resposta é baseada unicamente na Fé: "Para Deus não ha impossíveis." Sim é possível haver unidade na igreja. Mas, não é pelo campo da possibilidade que quero basear essa reflexão, mas, pelo da necessidade. A igreja precisa de unidade? SIM. Desesperadamente. Por quê?


Primeiro ponto: para refletir aquilo que já somos em Cristo Jesus.

"Assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em cristo, e membros uns dos outros." Rm. 12:5
"Por que nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão." I Co. 10:17


O fato da igreja passar por tantos problemas nessa área, falta de comunhão, irmão conta irmão, calúnias, e tantas outra coisas, que todos nós sabemos, não muda essa realidade: somos um em Cristo. Portanto temos que evidenciar de forma prática essa bendita realidade.

Segundo ponto: Para que sejamos reconhecidos como discípulos de Jesus. Como seus legítimos representantes.

"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros." Jo. 13:35

Sem dúvida alguma foi dessa forma que a igreja primitiva impactou sua geração. Como as pessoas nos indetificarão com Jesus se vivermos tão longe dos seus ensinamentos e do seu modo de vida?

Terceiro e último ponto: Porque essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus: nossa unidade.

"A fim de que todos sejam um; e como Es tu, o Pai, em mim e eu em Ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." Jo.17:21

Irmãos, para a igreja ter unidade, não é preciso todos pensarem da mesma maneira, ou ter o mesmo ponto de vista teológico, não é preciso os arminianos se transformarem em calvinistas, ou os calvinistas em arminianos. Não é preciso os pentecostais virarem tradicionais, nem tão pouco os tradicionais se tornarem pentecostais...
É preciso sim, termos a consciência que somos um, que somos corpo de Cristo, irmãos de fato. O amor e o respeito ao próximo é a chave de tudo isso.

O salmo 133 sintetiza muito bem toda essa compreensão vejamos:

"Oh! Como e bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. E como o orvalho do Hermom, que desce sobre o monte de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bençao e a vida para sempre."


Para um povo tão ligado as suas tradições religiosas e que valorizavam todo símbolo ligado a ela, você pode imaginar o que significava o momento da consagração de um sacerdote, o momento em que sua cabeça era ungida com óleo, posso lhe garantir que era algo extremamente importante; assim como também o era o "orvalho do Hermom" em uma terra de poucas chuvas, esse orvalho era sinônimo de provisão, de boa colheita. Pois bem, tão importante quanto à unção de um sacerdote ou da bendita provisão do Hermom: É que os irmãos vivam em união.

Existem muitas coisas importantes na vida da igreja, mas, nenhuma delas é mais importante que a unidade da igreja, nenhuma é mais importante que a comunhão entre os irmãos. E por fim, nesse ambiente de unidade e comunhão, o Senhor ordena ali sua bênção e a vida para sempre.
Queridos irmãos, não devemos nos apegar as coisas que nos separam, que nos fazem estar longe, mas, as coisas que nos unem, e a maior delas é o próprio Jesus, nosso único e suficiente salvador. Somos um nele, somos filhos de Deus, somos irmãos.


Viver em unidade é uma questão de necessidade.

No amor do Pai,
Marcos Paulo Correia.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O que fazer diante das dificuldades? (Salmo 73)

" Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.
Quanto a mim, bom é estar junto a Deus. No Senhor ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos". Sl. 73:26 e 28.


Ao lermos esse trecho do Salmo 73, ficamos maravilhados com o nível de confiança e de entrega do salmista Asafe. Com certeza, todos nós gostaríamos de expressar, com a mais singela sinceridade uma declaração como esta, descrita nos versos citados.
Falar isto é o mesmo que dizer: Ainda que dê tudo errado, ainda que eu sofra dores e aflições, ainda que o mundo inteiro se levante contra mim, ainda assim, Deus é a fortaleza do meu coração. É fácil? Não, não é fácil.
Mas, ao lermos todo o Salmo, percebemos que algo aconteceu para que ele pudesse amadurecer a sua confiança em Deus. Afinal, Asafe começa o Salmo compartilhando justamente um momento de fraqueza. no vs.2 ele diz: " Quanto a mim quase resvalaram os pés, pouco faltou para que se desviassem os meus passos". E qual era o problema do salmista Asafe?
Ele estava tendo inveja da aparente prosperidade dos ímpios. Estava tendo a falsa impressão que a vida daqueles que viviam longe de Deus, era melhor e mais sossegada do que a dele que vivia servindo a Deus.
Ele tinha tirado seus olhos do Senhor e os tinha posto nos homens, nas circunstâncias. Os vs. 3-14 relatam todo o seu conflito. O salmista chega a dizer no v.13: "Com efeito, inutilmente conservei puro o meu coração e lavei as mãos na inocência". Esta declaração nos dá a idéia da confusão que estava a sua vida. Algo precisava acontecer para que ele voltasse a enxergar as coisas pela ótica de Deus.
O salmista fez exatamente o que tinha que ser feito, fez o que todos nós temos que fazer quando passamos por momentos de aflição, de dúvidas, de desespero.
Ele parou na presença de Deus e o buscou. O vs.17 diz: "Até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles".
Asafe entendeu que o fim dos ímpios é diferente do fim dos justos. Que aos ímpios está destinada a morte eterna ( a menos que se arrependam e entreguem as suas vidas a Jesus) e para nós, os que crêem em Jesus, a vida eterna. Que motivo é maior que este para descansarmos e confiarmos em Deus, para nos alegrarmos e ficarmos tranquilos? Será que aquele que não poupou a seu próprio filho, pouparia alguma coisa para nos abençoar? Certamente que não. Rm.8:32.

Talvez você que nos visita hoje esteja passando por um conflito semelhante ao do salmista Asafe.
Talvez você esteja passando por lutas, aflições, dúvidas. O que fazer? Pare na presença de Deus e o busque. Lembre-se que o poder Dele é aperfeiçoado em nossa fraqueza. Na presença de Deus sempre encontraremos refúgio, respostas, consolo.

É irmãos, é assim, todas as vezes que superamos momentos difíceis em nossas vidas, nossa confiança em Deus amadurece, a nossa fé amadurece.
E este é justamente um dos motivos que faz Deus permitir que passemos por provações, o amadurecimento da nossa fé.
Em meio a tantas lutas, em meio a essa grande tempestade, tenha uma certeza; quando tudo passar você estará mais firme e mais confiante em Deus, talvez podendo dizer como o salmista:

"Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre".
"Quanto a mim, bom é estar junto a Deus. No Senhor ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos". Sl. 73: 26 e 28.

No amor de Cristo.
Marcos Paulo Correia.
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